Certo dia, Dona Alzira saiu de casa para ir fazer as suas habituais compras ao supermercado.
No entanto, não desconfia que perto, muito perto, se esconde uma figura, com ar suspeito e malicioso. Atrás de uma árvore estava um homem muito estranho, que, ao ver a senhora fechar a porta de casa, esfrega as mãos de contente.
Dando uma gargalhada baixa, diz para si mesmo:
- Finalmente saiu de casa, esta velha desgraçada!...Quando estiver mais distante e sem ninguém por perto, fico com o caminho livre para entrar em sua casa!..
Aproximando-se de uma janela baixa, virada para a rua e pela qual conseguia trepar, descobre que é possível abri-la sem grande esforço, não tendo de partir os vidros e fazer barulho.
Olhando à sua volta, verifica primeiro que ninguém está a passar na rua ou a olhar de outra casa vizinha ali perto. Assim, entra rapidamente e prepara-se para roubar tudo o que tivesse valor. Jóias e pratas eram o que mais lhe interessava. Mas ao passar perto da cozinha, um cheirinho delicioso o atrai, percebendo que estava cheio de fome. Em cima do fogão via-se uma panela, com algo que lhe abriu o apetite, deixando o homem com água na boca.
Logo pensa:
- A velha ainda vai demorar, por isso tenho tempo para ir comer um pouco do que está na panela e espreitar o que existe no frigorífico. A velha deve ter bons petiscos.
Começou a comer de tudo um pouco e a beber directamente do gargalho de uma garrafa de vinho, que se encontrava mesmo à mão, em cima da mesa.
No entanto, ainda estava ele a saborear tanta comida, quando sentiu um barulho vindo da porta da rua. Era a dona da casa, a Dona Alzira, que rodava a chave para abrir a porta.
Não tendo tempo para fugir, assustado por ser apanhado em flagrante delito, esconde-se no sítio mais próximo, isto é, debaixo da mesa da cozinha.
Dona Alzira entra em casa, pousa em cima da mesa um saco cheio de compras e logo repara na confusão à sua volta. A sua sempre tão arrumada cozinha tinha tudo fora do sítio e só se via comida espalhada pelos balcões.
Como era muito esperta e atenta, percebeu logo que tinha alguém em sua casa e que devia ser uma pessoa que lhe poderia fazer mal.
Rapidamente pensou:
- Tenho de fazer alguma coisa e depressa, pois ainda sou atacada por este ladrão que até me pode fazer mal...
Pensou... pensou... e de repente teve uma ideia brilhante:
- Já sei o que vou fazer e só espero que resulte.
Olhando para debaixo da mesa, chamou o ladrão com voz suave e meiga, dizendo:
- Oh coitadinho do senhor, deve estar cheio de fome. Saia daí e venha sentar-se junto de mim. Pode comer à vontade e até lhe faço algo bem apetitoso. Beba também deste vinho especial, que lhe vai fazer bem, vai ver!...
O ladrão, espantado, sai debaixo da mesa com alguma surpresa e vergonha, por ser apanhado e faz o que a velha diz. Senta-se assim ao seu lado e vai comendo e bebendo sem parar. Ao mesmo tempo que se deliciava com tantos petiscos, a esperta velha diz que lhe vai a contar uma história para o distrair e divertir um pouco.
Começa a velha a contar a sua história dizendo:
- Certa vez, uma senhora que vivia só foi assaltada por um ladrão. Como era muito valente e corajosa, em vez de ficar calada, ao ver esse malvado intruso, começou a gritar bem alto:
- Socorro! Socorro! Quem me acode! Tenho um ladrão em casa.
E ia repetindo estas palavras, sempre cada vez mais alto:
- Socorro! Quem me acode! Venham salvar-me que tenho um ladrão em casa.
O homem, ouvindo a velha a gritar estas palavras, bem lhe dizia:
-Chiuuuuu, fale mais baixo, não pode gritar dessa maneira! Olhe que os vizinhos podem ouvir.
Mas a velha não se calava e continuava a dizer bem alto:
- Socorro! Quem me vem salvar?
Não demorou muito tempo e aconteceu exactamente o que a velha tinha pensado.
Todos os seus vizinhos, ouvindo aqueles gritos vindos da casa da Dona Alzira e desconfiando do que se estava a passar, vieram socorrê-la, entrando pela casa dentro de paus e vassouras nas mãos.
Vendo um homem estranho na cozinha com a vizinha, perceberam logo o que estava a acontecer. Atiraram-se a ele e agarraram-no com toda a força, não lhe dando tempo para fugir. Depois de amarrado, chamaram a Polícia, que o levou preso.
O ladrão nunca mais foi visto, nunca mais assaltou casas, nem nunca mais assustou pessoas, pois esteve na cadeia muitos e muitos anos.
E quanto à Dona Alzira, foi graças à sua coragem e esperteza que conseguiu fazer com que se prendesse um ladrão que se julgava muito valente e sabichão.
Fim

1 comentários:
ola, excelentete conto, gostei,bj
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